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26set/080

SAIU NO JORNAL :: A ORDEM DO DISCURSO part#02

BIOMETRIA, CARTÕES DE COMPRAS, CÂMARAS DE VIGILÂNCIA E INTERNET MONITORAM INDIVÍDUOS E EXTINGUEM IDÉIA DE ANONIMATO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA (FSP,14/set/2008)

[mais infos a respeito baixe gratuitamente aqui o pdf @ 2007 ou aguarde nova publicacao online]

A vigilância hoje abrange quase todas as nossas interações com o mundo e todos os nossos sentidos

Desaparecer ainda é possível, mas é preciso saber o que isso representa em termos de esforço
...

Satélites de observação, câmeras de vigilância, passaportes biométricos, arquivos administrativos, policiais ou comerciais, chips movidos a freqüência de rádio, GPS, celulares, internet: o cidadão moderno vive no centro de uma rede de tecnologias cada vez mais aperfeiçoadas e cada vez mais indiscretas. Cada uma dessas ferramentas, criadas supostamente para nos oferecer segurança e conforto, nos classifica ou até mesmo nos observa. Ao mesmo tempo cúmplices e inconscientes, somos enredados em uma sociedade de vigilância. Será que ainda é possível escapar desses dispositivos múltiplos que nos cercam por todos os lados? ... [Sob Vigilância, ... 252 págs., ]. O livro traz uma visão geral dessas tecnologias, procurando diferenciar entre os temores irracionais e os riscos reais de desvios.

PERGUNTA - Quais são hoje os grandes domínios da vigilância tecnológica?

mais uma imagem do projeto "Quem conhece a árvore de mandioca?, e-tinerâncias ou CityMapping Performance" @ 2007...

["diferenciando pero no oponiendo al turista y al vagabundo. El turista es el que viaja sin problemas de visa, el que viaja por viajar y el que se vuelve cuando le da gana. El vagabundo en cambio es, en realidad, el emigrante, expulsado de su pais pq no hay trabajo, y que llega a un pais en el que tampoco le dan trabajo, o si se lo dan, es en unas condiciones de explotacion brutales, ...

los gran movimientos que las ciencias sociales necesitan pensar hoy son tambien dos movimientos muy diferentes pero complementarios: las migraciones poblacionales y los flujos de imagenes e informacion [dados] ... en ultimas un mundo sin vagabundos es la utopia de los turistas, ...

[hay] la necessidad de pensar la relacion entre migraciones y flujos mediaticos ...", Bauman y Martin-Barbero]

- Podemos traçar círculos concêntricos. O primeiro são os "pedaços" de nós mesmos -tudo o que diz respeito à biometria. Vamos progressivamente entregando um certo número de elementos que nos pertencem, que nos identificam. Essa história começou com nossas impressões digitais. Hoje, chegou ao DNA, à íris, à palma da mão; dentro em breve, será nosso modo de andar ou nossos tiques. O segundo círculo é aquele formado por todos os captadores que nos cercam -aqueles que nos observam, como videovigilância, webcams, aeronaves de espionagem não tripuladas, aviões, helicópteros, satélites. Há também a escuta, em todos os sentidos do termo. Não se deve esquecer nunca que o primeiro método de escuta é uma pessoa ao nosso lado. Também podem ser usados nossos próprios objetos, especialmente o telefone. Comprei um GPS ou um telefone celular. Será que é possível me seguir graças a esses aparelhos? Será que os vários cartões -de crédito, de fidelidade, de assinante- que carrego na carteira revelam coisas a meu respeito, em tempo real, a cada vez que os utilizo? ...

Depois, há a internet. Será que minha sede de fazer amigos, de me fazer conhecer, não me leva a revelar coisas demais, que algum dia poderão ser usadas contra mim? Logo, os domínios de vigilância hoje abrangem quase todas as nossas interações com o mundo externo e praticamente todos os nossos sentidos. Os receios são mais fortes na medida em que percebermos que teríamos muita dificuldade em viver sem muitas dessas tecnologias. Essa situação é bastante representativa de nossa ambivalência diante dessas questões.

PERGUNTA - Nas cidades do Reino Unido, os sistemas de vigilância já utilizam 25 milhões de câmeras em lugares públicos. A que se deve esse interesse?
- É algo muito irracional, pois não existe trabalho de pesquisa que confirme a eficácia das câmeras. ... A videovigilância é uma ajuda preciosa principalmente para a solução de investigações, a posteriori.

[Ginsburg e Foucault revelam o inicio deste "cadastramento" civilizatorio de nossa sociedade ocidental:]
"

PERGUNTA - Ainda é possível "desaparecer" em nossas sociedades? Isto é, ainda é possível escapar do controle da tecnologia?
- Desaparecer ainda é possível, mas é preciso saber o que isso representa em termos de esforço, sobretudo se você ainda vive na legalidade, sem falsa identidade ou cirurgia plástica. ... O problema é que esse afastamento da sociedade vai parecer sobretudo uma viagem ao passado, um retorno às formas antigas de controle social. Em seu pequeno vilarejo perdido, não haverá quase ninguém, mas todo mundo num raio de dez quilômetros saberá tudo sobre seus hábitos cotidianos, suas particularidades. [DOGVILLE] Os séculos anteriores à tecnologia moderna estavam longe de serem épocas sem vigilância. [GINSBURG & FOUCAULT] Para evitar isso, você talvez prefira mergulhar fundo na selva urbana. As multidões das cidades ainda podem garantir o anonimato. [Baudelaire & WALTER BENJAMIN] ...

PERGUNTA - Sem ir tão longe assim, ainda é possível pelo menos controlar as informações a nosso respeito que permitimos que sejam registradas?
- Se você decide permanecer na sociedade, as informações a seu respeito vão necessariamente circular. Você paga impostos ao fisco, que, conseqüentemente, sabe coisas a seu respeito, assim como sabe seu empregador etc. Mas você pode evitar dar informações a seu respeito que ninguém o obrigue a revelar.
Você pode evitar preencher todos os questionários aos quais geralmente não presta atenção. [ver "Vjiar - Web-Vjing-Cam", 2005/6]...

PERGUNTA - A maior porta para a invasão de nossa vida privada ainda é o computador ligado à internet?
ROUSSELIN - Com certeza. A maioria dos computadores nos é entregue com sistemas operacionais que dão direito legal à Microsoft ou à Apple de colocar em nossas casas espiões que supostamente estão ali por boas razões. A partir do momento em que somos conectados à rede, independentemente de qualquer decisão autônoma de nossa parte, um pequeno tráfico começa a se desenrolar, ... coletando informações sobre nossa estação de trabalho. .... O problema se agrava mais a partir do momento em que se navega na web. A cada vez que visitamos um site, este registra o número de páginas vistas, o tempo de consulta em cada uma, os links seguidos, o percurso integral do cliente antes da transação, assim como os sites consultados antes e depois. [ver: "Ctrl/Espace - Rhetorics of Surveillance,
from Bentham to Big Brother", Thomas Y. Levin + Peter Weibel
& "Vjiar - Web-Vjing-Cam"] ...

PERGUNTA - Em lugar de passar despercebida, a solução seria continuar ativo para subverter o sistema?
- Sim, ainda restam muitas áreas de nossa vida pessoal em que nem tudo está decidido. E cabe a cada um de nós fazer com que a vigilância não se amplie. Estamos assistindo ao surgimento de ativistas, vemos artistas, pessoas que têm comportamentos sadios. Mas então topamos com nosso próprio comodismo, nossos pequenos interesses momentâneos. É contra isso que é preciso lutar. Contra nós mesmos? Sim! Porque gostamos do que é moderno e simples. A força do Google ou da Apple é a dessas interfaces incrivelmente fáceis e intuitivas, que nos seduzem. Todos nós temos amigos que nos fazem a demonstração de seu mais novo objeto "super-high-tech", que se gabam interminavelmente das qualidades de seu novo telefone etc. O que fazem não é nada mais, nada menos que promover o novo instrumento que os vigia. E sentem muito orgulho disso. Somos todos um pouco assim. ...
[entrevista com T. Rousselin, a íntegra deste texto saiu no "Le Monde" e circulou em listas-online de arte em setembro/2008]