MOBILE WEBTV LIVE BROADCAST BLOG SINCE 2006 : PUBLIC INFOS, WORKSHOPS & LECTURES [Asia, Brazil & Europe]

26nov/090

The Nine Eyes of Google Street View [¿Surveillance or Spectacle?]

Two years ago, Google sent out an army of hybrid electric automobiles, each one bearing nine cameras on a single pole. Armed with a GPS and three laser range scanners, this fleet of cars began an endless quest to photograph every highway and byway in the free world.

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Consistent with the company’s mission “to organize the world’s information and make it universally accessible and useful,” this enormous project, titled Google Street View, was created for the sole purpose of adding a new feature to Google Maps.

Every ten to twenty meters, the nine cameras automatically capture whatever moves through their frame. Computer software stitches the photos together to create panoramic images. To prevent identification of individuals and vehicles, faces and license plates are blurred.

Today, Google Maps provides access to 360° horizontal and 290° vertical panoramic views (from a height of about eight feet) of any street on which a Street View car has traveled. For the most part, those captured in Street View not only tolerate photographic monitoring, but even desire it. Rather than a distrusted invasion of privacy, online surveillance in general has gradually been made ‘friendly’ and transformed into an accepted spectacle. [cont.]

Jon Rafman wrote [August, 2009] an essay
about "Google Images... The Operating System"

a short vídeo about one of my locative-live streaming-[¿sousveillance?] projects:
CityMapping Performance MP @ The Everydayness' Manifesto
[jan-aug, 2006]


TAG: ART & 'NEW' MEDIA

25ago/090

Another New Mobile CameraCyborg

After CityMapping Performance
After Google Street View Car
After Bike C-Mapping
Now the Yellow Bird 3D Generation:
[ © yellowBird 2009 — The Netherlands ]
a camera mobile   founders rafael and marc
everybody in a mobile camera-eye situation: on & on!

11abr/090

REPOSTED: LIFE GOES MOBILE… BROADCAST DIRECTLY FROM YOUR CELLPHONE

since 2007, a lot of new online platform based on FCS [like ustream, joost, mogulus, and another ones] is ready to live broadcast & a social operatting system [social online audiovisual networking like YouTube]

BUT, yeah!, nowadays [2009] one of them is ready also to run mobile & by cellphones.
ustream mobile home

BROADCAST INSTANTLY FROM YOUR CELLPHONE
has a lot of audiovisual, tracking [locative media] & broadcasting projects: you can create your own and go mobile or email us to create a new original one for you: you're free, then mail us to help you in a creativity project! :)

citymapping2006

Nossa equipe também vem atuando na área de consultorias desde 2008:

junto a novos desenvolvedores de softwares/ aplicativos,
a empresas com projetos culturais e educativos em rede pelo país,
a eventos de tecnologia, congressos ao redor do mundo,
desenvolvimento de programas completos educativos [oficinas, palestras & workshops] ao longo do Brasil
e auxílio criativo e técnico a renomados artistas.

Entre em contato conosco, saiba maiores detalhes de como você também pode atuar conjuntamente na onda da telefonia móvel!
:)


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acima imagem do projeto
“Quem conhece a árvore de mandioca?, e-tinerâncias ou CityMapping Performance”, 2007.
[metodologia: trabalho baseado em Locative Media & Mobile Broadcasting conceitualizado a partir da viagem de Mario de Andrade a Belém do Pará
- dentre outras cidades brasileiras - no início do século XX e do texto de Hermano Vianna sobre o Tecnobrega e a infra-estrutura de produção e distribuição informal na região no século XXI].

ustream mobile2b

if it really runs, we don't know. we didn't test it yet, did you?
Then, tell us about it!
"In just a few seconds you will be experiencing live and broadcasting from your mobile phone. Notify twitter when you go live to instantly activate your audience and easily interact with your viewers through chat!"

* * ustream.tv: we really apologise for this late post here! * *

13mar/091

BIKE C-MAPPING PART#03 [2007-2009] :: WE’RE SHARING AGAIN ANOTHER VIDEO-PROJECT WITH YOU!

The newest version of this video-project is already online at VIMEO!


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We are still talking about the different uses of cellphones!
[audiovisual, communication & tracking-mapping our city-society]
It's a video-extension of the 2007 one: "Oneself Cellphone - Bike C-Mapping"


2009 031 72dpi
or maybe an extension of the 2006 one [who knows?...]

[email us: we'll send to you your password to watch & get it]




! YOU CAN FREE-DOWNLOAD IT
AND WATCH IT IN YOUR CELLPHONE !



2009 033 72dpi
WE WANT TO KNOW:


WHAT DO YOU THINK ABOUT OUR AUDIO-VISUAL RETHORICS PROJECTS?


WHO ARE YOU?
PLEASE, FEEDBACK US

12out/082

“Affect of Place in Artistic Uses of Mobile and Social Networks”, por Tapio Makela | tradução p/ português Milena Szafir

cenas-frames da 1a montagem do 'video locative-media project'

bikecmapping2007 copy
"Oneself Cellphone: Bike C-Mapping part#01", de milena szafir @ 2007




Tecnologias de Locação:
Afeto[2] de Lugar em Usos Artísticos de Redes Sociais e Móveis
by Tapio Makela / ISEA2008

[tradução: Milena Szafir | revisão: Mariana Kadlec]


Em seu ensaio “Cinema and Embodied Affect”, Anne Rutherford se refere a noção de Foucault sobre anatomia como as 'técnicas do cadáver'. O corpo humano na mesa de dissecação está 'roubado da vida, separado de sua conexão à experiência vivida daquele corpo'. Em um cadáver, corpos estão desprovidos de vida. A partir da perspectiva de um satélite, analogamente aos caminhos que a anatomia se configura como uma experiência subjetiva – na visão de Merleau-Ponty[1] –, lugares estão sem vida.

Tomando como ponto de partida uma experiência subjetiva e uma experiência efetiva de um lugar, eu quero reverter uma perspectiva frequentemente utilizada sobre geolocation. Lugares se tornam cheios de significado através de atos/ ações de significação individual e compartilhadas, e não porque eles se apresentam como 'dado-locativo'. Como as práticas artísticas, ao se utilizarem de várias tecnologias de locatividade, promovem locais de convivência? Seria o 'efeito de lugar', tanto quanto o 'efeito tecnológico', relevante às práticas artísticas-midiáticas baseadas na locatividade?

Meu atual projeto de pesquisa – “Tecnologias de Locatividade” – parafraseia o clássico livro de Jonathan Crary (“Técnicas do observador: sobre visualidade e modernidade no século XIX”): pode-se considerar que tecnologias de locatividade e de vigilância em rede têm extendido o projeto da modernidade. O uso de tecnologias como GPS apresenta-se, de acordo a Caroline Basset, como 'remote sensing', 'algo que sugere profundas transformações no senso perceptivo humano, como parte de uma ampla série de mudanças (influenciadas tecnologicamente) que vem apresentando um impacto... no cotidiano'.

'Remote Sensing' parece sugerir que é possível estar em um lugar e experimentá-lo fora dele em um mesmo instante (ao mesmo tempo). Realmente, ao utilizarmos qualquer mídia em rede implicaria que alguém está 'remote sensing'. No entanto, o termo aponta na direção de designers e artistas desafiadores que vêm trabalhando com mídias-locativas. Os usuários estão experimentando seus territórios imediatos assim através de pequenas telas e áudio eles acessam uma camada representacional [representativa?] sobre a mesma localidade. Remoteness, portanto, acontece ao mesmo tempo tanto em GPS, WiFi ou rede de telefonia móvel – celular – quanto apresentam-se 'sem significado' [meaningless]. O que realmente importa é o que apresenta-se visível a alguém e o que segue escondido.

Nos projetos do Blast Theory – Can you see me now? (2002) and Uncle Roy All Around You (2003) – lugares são parte de um cenário de game. O uso de jogadores remotos [controlados?] e da rua cria uma tensão entre poder estar remotamente em um local e atuar nele. Assim, mesmo que as coordenadas de um GPS sejam relevantes a partir da perspectiva de um design funcional e que talvez contribua para uma localidade imaginária, estes trabalhos focam-se mais no 'afeto do social e da jogabilidade' do que no 'afeto do lugar'.

Mais do que falar sobre um sentido permanente de lugar, segundo o conceito de vizinhanca de Pierre Mayoul (ver The Practice of EverydayLife, vol.2 – Michel de Certeau), nestes projetos do Blast Theory, uma experiência temporal do pedestre torna-se momentaneamente compartilhada e em compartilhamento. Participação é a chave sem a qual estes trabalhos não são acessíveis. Em um trabalho mais recente – entitulado Rider Spoke (2007) –, Blast Theory experimentou uma participação dessincronizada, onde 'jogadores' podiam gravar e compartilhar suas impressões de 'lugares escondidos'. Sem um cenário de jogo como motivação, Rider Spoke não seria bem sucedido no agregamento social de diferentes participantes. Formado por ciclistas guiados através de fones de ouvido e de um pequeno PDA, no congestionado tráfego de Londres, transforma-se em uma sobrecarregada sensação [sensorial overload] dando uma boa lembrança de quão difícil é desenhar interfaces audiovisuais para espaços públicos.

Miwon Kwon, em seu livro Um lugar após o outro: identidade local e site-specific arte, descreve quão previamente a arte de site-specific estava atrelada às condições materiais de lugares urbanos. Mais recentemente, o local específico [site specificity] tem crescentemente se destinado a relações entre lugares, práticas e pessoas. Ela fala sobre os 'trabalhos de arte críticos', os quais têm se movido de um local ao outro, formando 'intimidades temporais'. Um papel mais responsável pelo artista é formar engajamentos de longa-data para os lugares através de 'sustaining relations' [relações de sustentabilidade/ de sustento?].

Em Urban and Social Tapestries – de Proboscis – a mídia-locativa torna-se uma ferramenta e uma plataforma de 'etnografia experimental'. Muito na tradição da comunidade artística – como a narração coletiva dos lugares – torna-se um caminho não somente de escrita ou do 'fazer-midiático' sobre este locais, mas sim de criação para uma nova maneira de sociabilidade entre os participantes, onde estes tornam-se além co-leitores, mas co-autores.

Anne Rutherford segue Crary quanto ao trabalho de Glen Mazis, compreendendo 'estética afetiva' [relacional?] como uma combinação de movimento, corporalidade-subjetiva [embodiment] e tato. Na mídia-locativa, o 'lugar afetivo' [lugar de afeto] é ao mesmo tempo construído através do imediato tanto quanto um sentido remediado de lugar. Visto frequentemente como um exercício individual, um sentido de lugar na arte de mídia-locativa pode – mesmo que tão somente por um momento transitório – ser construído e mediado socialmente.

De alguma maneira, esta construção social do lugar enudece as arquiteturas. Talvez o cadáver na mesa de dissecação urbana seja a cidade concreta por si mesma, que assim como um disco rígido é continuamente reescrito (onde memórias perdidas e representações são gradualmente apagadas por novas). Se o cinema está apto a sugerir um imaginário de cidade como um tipo de permanente nostalgia, as artes locativas apresentam-se mais como plataformas dissincronizadas naqueles que atuam conjuntamente nas práticas urbanas sociais e individuais.

A ênfase na prática coincide com o crescimento do uso do computador como mediador de redes socais [de sociabilidade]. Assim como a anatomia é incapaz de entender a corporalidade, a teoria da Interação Homem-Computador também não é capaz de descrever sozinha a variedade de compreensões das práticas em rede. Recente teorização das redes baseadas em I.H.C., por exemplo por Tiziana Terranova, tem como alternativa proliferar os sistemas tecnológicos e biológicos à esfera do social na tradição cibernética.

Se o sistema teórico posiciona os usuários como atores estruturalistas de um 'cíclico retorno' [feedback loop] nos esquemas geométricos e lógicos, o que seguiria a partir de avanços similares em consideração à mídia via geospatially? A posição do usuário é a de um ponto, e sobretudo, aquele formador de uma linha. Em trabalhos desenhados a partir do uso de GPS, como The GPS Drawing Project, em Amsterdam, mapas de Esther Polak e caminhadas litorâneas por Tery Rueb, o imaginário espacial resultante faz-nos relembrar os desenhos computadorizados da década de 60 inspirados pela cibernética. Somente desta vez – agora – o agente humano vem se tornando um ator no interior do sistema planejado. Esta posição ou espacialidade – 'pin point' – é unlivable ['desvivenciado'?]. O ponto de geolocation produz um traço, mas segue como um signo efêmero, frequentemente incapaz de compreender o afeto de sociabilidade, mobilidade e lugar dos participantes nestas experiências práticas em rede. Assim como o time code demarca filmes e vídeos, aquele ponto torna-se relevante somente tão logo o jogo ou a interação ao redor dele – as narrativas ou a mídia anexadas a ele – estão aptas a criar um lugar afetivo (lugar de afeto), ou uma situação afetiva, oscilando entre relações de sustentabilidade e intimidades temporais.

Picture 3

cenas-frames da 1a montagem do 'video locative-media project'
"Oneself Cellphone: Bike C-Mapping part#01", de milena szafir @ 2007
[ciclista percorre a cidade de São Paulo com câmera de vigilância e celular-triangulacao... trabalho em andamento do projeto
"CityMapping-Performance" @ 2006]


---------- Forwarded message ----------
Date: Mon, Oct 6, 2008 at 4:29 PM
To: tapio makela

"...i just have some questions about 'real meanings' [right interpretation/ translation] for well translating (interpretation in portuguese) it:

1. 'embodiement' >> i'd translated from the Merleau-Ponty concept (a subjective experience about some aspect of reality)... is it right in your txt?

2. affect >> i'd explained in the translation txt in portuguese it's relation to Spinoza's concept (to affect ~ dialogues & shared sensitive experiences through the human being - the society)... is it right in your txt?

3. about your artistic examples, beyound the idea of game, participation and functional designs interfaces, your txt is a critical vision about 'new locative media', where the actors are just a 'pin point' and don't have a really affect of sociabillity etc, isn't it?
["the places were reduced to 'pin points' (dots) and colors in the maps..." - Walter Benjamin, 1927]

6out/080

OUTRAR-SE versus ANTROPOFAGIA – parte01b

OUTRAR-SE nao eh antropofagia!, antropofagia eh um conceito do seculo XIX/XX... os modernistas falavam de ANTROPOFAGIA!!!!!... estamos a extender a modernidade?!... (...)

"the places were reduced to 'pin points' (dots) and colors in the maps..." sobre midias locativas em Quem conhece a árvore de mandioca?, e-tinerâncias ou CityMapping Performance @ 2007 projeto de Milena Szafir…

"A Funcao do cronista [turista, cartografo, antropologo, etnologo...] seria o de incorporar o Brasil criticamente aa sua vivencia", pag. 04 in Quem conhece a árvore de mandioca?, e-tinerâncias ou CityMapping Performance

<< Be inspired and inspire others - Protect The Human >>
[centuryXXI] OUTRAR-SE versus ANTROPOFAGIA [centuryXIX-XX]
what's "The Human" for YOU?!...

26set/080

[REPOSTED] SAIU NO JORNAL :: A ORDEM DO DISCURSO part#01

PERGUNTA - Os telefones celulares são cada vez mais vistos como potenciais delatores. Ainda é possível limitar esse risco?

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imagem do projeto "Quem conhece a árvore de mandioca?, e-tinerâncias ou CityMapping Performance", enviado ao PSM em 2007 por Milena Szafir...

- A partir do momento em que seu aparelho está ligado, sua operadora pode de fato colocar em andamento toda uma série de mecanismos de espionagem, atendendo ao pedido de algum "vigilante". Existem procedimentos diferentes que permitem localizar alguém com margem de erro de mais ou menos 50 metros, fazendo uma triangulação com as três antenas de telefonia celular mais próximas de seu telefone. Os telefones de nova geração, os "top de linha" atuais, contêm um chip GPS e serão localizáveis com muito mais facilidade e precisão. Para a escuta, não há apenas a possibilidade de interceptar um telefonema, algo que já se tornou muito simples. Uma operadora também tem a possibilidade de fazer um celular funcionar como microfone de ambiente. Juridicamente, a polícia pode, sob certas condições, pedir que a operadora transforme o telefone em microfone, ouvindo tudo o que é dito em volta da pessoa que carrega o aparelho. Em todos esses casos, porém, tanto para a localização como para a escuta, é preciso que o telefone esteja ligado. Portanto, se você quiser evitar ser permanentemente localizável, faça como fazem policiais ou criminosos: desligue seu celular quando não o estiver usando. [ver "POST PANOPTIC ERA"... 2007 txt+video]

como diria Foucault:

<< ...Por mais que o discurso seja aparentemente bem pouca coisa, as interdicoes que o atingem revelam logo, rapidamente, sua ligacao com o desejo e com o poder. ...
Existe em muita gente, penso eu, um desejo semelhante de nao ter de comecar, um desejo de se encontrar, logo de entrada, do outro lado do discurso, sem ter de considerar do exterior o que ele poderia ter de singular, de terrivel, talvez de malefico. A essa aspiracao tao comum, a instituicao responde de modo ironico; ...
O desejo diz: 'Eu nao queria ter de entrar nesta ordem arriscada do discurso; nao queria ter de me haver com o que tem de categorico e decisivo; gostaria que fosse aqo meu redor como uma transparencia calma, profunda, indefinidamente aberta, em que outros respondessem aa minha expectativa, e de onde as verdades ase elevassem, uma a uma; eu nao teria senao de me deixar levar, nela e por ela, como um destroco feliz'.
...
Penso na oposicao entre razao e loucura... o louco eh aquele cujo discurso nao pode circular como o dos outros: pode ocorrer que sua palavra seja considerada nula e nao seja acolhida, nao tendo verdade nem importancia, nao podendo testemunhar na justica, nao podendo autenticar um ato ou um contrato... Ou caia no nada - rejeitada tao logo proferida; ...
... eh sempre na manutencao da censura que a escuta se exerce ...
...
...poder de coercao... discurso verdadeiro ... como as praticas economicas, codificadas como preceitos ou receitas, eventualmente como moral, procuraram ... fundamentarse e justificarse, racionalizarse a partir de uma teoria das riquezas e da producao...
...
...tres grandes sistemas de exclusao ... a palavra proibida, a segregacao da loucura e a vontade de verdade... onde a verdade assume a tarefa de justificar a interdicao e definir a loucura; ...
>>

[loucura? ver tbem Flusser...]

PERGUNTA - ...Neste novo "jogo social", por que o sr. é tão crítico com as redes sociais e a prática dos blogs?
- Porque, para mim, o risco maior está aí, especialmente no que diz respeito aos adolescentes. Milhões deles mantêm blogs ou participam de fóruns em que deixam uma quantidade enorme de informações, sem dar-se conta das conseqüências. Já vimos diversos casos: jovens que, em seus blogs, fazem críticas massacrantes às empresas em que fizeram estágio e que, dois anos mais tarde, se surpreendem ao descobrir que os recrutadores lêem esse tipo de coisa. Fazer besteiras e querer se exibir é algo próprio da adolescência. O problema é que os adolescentes difundem suas besteiras em sistemas tecnológicos privados que vão guardar sua memória. Cerca de 90% das pessoas que se cadastram numa rede social não estão mais nela dois meses mais tarde. Fazem todo o processo de admissão, mas acabam se cansando. Deixam para trás uma quantidade enorme de informação pessoal. ... Fiquei pasmo. Assim, o Google [Orkut, Gmail, YouTube...] e o Yahoo! tornaram-se os maiores detentores de informações sobre nossos comportamentos e nossos hábitos de consumo. [ver "espetaculo+vigilancia=consumo" @ mm não é confete & "YOU-ser:" @ Peter Weibel + Joseph Beuys] ... O vigilante é por definição um paranóico. Conseqüentemente, existem muitos inimigos entre os que supostamente estão a seu lado. ... É isso que às vezes acho excessivo nos panfletos sobre a vigilância: sempre há um exagero, ... Os cidadãos também podem voltar certos meios contra seus criadores, vigiando os vigiadores. Um dos aspectos de nossa pesquisa que nos deixou otimistas é a efervescência criadora que está crescendo em torno desse assunto. Diversas formas de resistência, artísticas ou associativas, estão sendo criadas. Podem retardar ou impedir o pior, sensibilizando o grande público. [ver "Video Surveillance Piece - Public Room/ Private Room", Bruce Nauman @ 1969 & "Der Riese", Michael Klier @ 1983 & "Camera Players" @ 1996 & "Host", K. Lucas @ 1997 & "Surveillance-Wireless-Vjing-Performances Panopticadas", mm não é confete @ 2003 & "Life: a user's manual", Michelle Teran @ 2003 & "Sorria, você está sendo filmado", mm não é confete @ 2004/06 & "Spio", Lucas Bambozzi @ 2004/07 & "CityMapping-Performance", MSz @ 2006 & "Atitude Suspeita", Esqueleto Coletivo+EIAetc @ 2006 & "Bike C-Mapping", Milena Szafir @ 2007 & "Consumer Index", SWAMP @ 2007 & "Era Pós-Panóptica: Retóricas Líquidas em Redes Móveis - Obra de Arte ou Social Operating System?", Mariana Kadlec+Milena Szafir @ 2007/08 & "The Panoptic Society or Immortality in Love with Death", Peter Weibel @ 2007 & "O Ovo da Serpente 2.0", Giselle Beiguelman @ 2008 & "The Suspect Backpack", Somaya Langley @ 2008] ...

26set/080

SAIU NO JORNAL :: A ORDEM DO DISCURSO part#02

BIOMETRIA, CARTÕES DE COMPRAS, CÂMARAS DE VIGILÂNCIA E INTERNET MONITORAM INDIVÍDUOS E EXTINGUEM IDÉIA DE ANONIMATO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA (FSP,14/set/2008)

[mais infos a respeito baixe gratuitamente aqui o pdf @ 2007 ou aguarde nova publicacao online]

A vigilância hoje abrange quase todas as nossas interações com o mundo e todos os nossos sentidos

Desaparecer ainda é possível, mas é preciso saber o que isso representa em termos de esforço
...

Satélites de observação, câmeras de vigilância, passaportes biométricos, arquivos administrativos, policiais ou comerciais, chips movidos a freqüência de rádio, GPS, celulares, internet: o cidadão moderno vive no centro de uma rede de tecnologias cada vez mais aperfeiçoadas e cada vez mais indiscretas. Cada uma dessas ferramentas, criadas supostamente para nos oferecer segurança e conforto, nos classifica ou até mesmo nos observa. Ao mesmo tempo cúmplices e inconscientes, somos enredados em uma sociedade de vigilância. Será que ainda é possível escapar desses dispositivos múltiplos que nos cercam por todos os lados? ... [Sob Vigilância, ... 252 págs., ]. O livro traz uma visão geral dessas tecnologias, procurando diferenciar entre os temores irracionais e os riscos reais de desvios.

PERGUNTA - Quais são hoje os grandes domínios da vigilância tecnológica?
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mais uma imagem do projeto "Quem conhece a árvore de mandioca?, e-tinerâncias ou CityMapping Performance" @ 2007...

["diferenciando pero no oponiendo al turista y al vagabundo. El turista es el que viaja sin problemas de visa, el que viaja por viajar y el que se vuelve cuando le da gana. El vagabundo en cambio es, en realidad, el emigrante, expulsado de su pais pq no hay trabajo, y que llega a un pais en el que tampoco le dan trabajo, o si se lo dan, es en unas condiciones de explotacion brutales, ...

los gran movimientos que las ciencias sociales necesitan pensar hoy son tambien dos movimientos muy diferentes pero complementarios: las migraciones poblacionales y los flujos de imagenes e informacion [dados] ... en ultimas un mundo sin vagabundos es la utopia de los turistas, ...

[hay] la necessidad de pensar la relacion entre migraciones y flujos mediaticos ...", Bauman y Martin-Barbero]

- Podemos traçar círculos concêntricos. O primeiro são os "pedaços" de nós mesmos -tudo o que diz respeito à biometria. Vamos progressivamente entregando um certo número de elementos que nos pertencem, que nos identificam. Essa história começou com nossas impressões digitais. Hoje, chegou ao DNA, à íris, à palma da mão; dentro em breve, será nosso modo de andar ou nossos tiques. O segundo círculo é aquele formado por todos os captadores que nos cercam -aqueles que nos observam, como videovigilância, webcams, aeronaves de espionagem não tripuladas, aviões, helicópteros, satélites. Há também a escuta, em todos os sentidos do termo. Não se deve esquecer nunca que o primeiro método de escuta é uma pessoa ao nosso lado. Também podem ser usados nossos próprios objetos, especialmente o telefone. Comprei um GPS ou um telefone celular. Será que é possível me seguir graças a esses aparelhos? Será que os vários cartões -de crédito, de fidelidade, de assinante- que carrego na carteira revelam coisas a meu respeito, em tempo real, a cada vez que os utilizo? ...

Depois, há a internet. Será que minha sede de fazer amigos, de me fazer conhecer, não me leva a revelar coisas demais, que algum dia poderão ser usadas contra mim? Logo, os domínios de vigilância hoje abrangem quase todas as nossas interações com o mundo externo e praticamente todos os nossos sentidos. Os receios são mais fortes na medida em que percebermos que teríamos muita dificuldade em viver sem muitas dessas tecnologias. Essa situação é bastante representativa de nossa ambivalência diante dessas questões.

PERGUNTA - Nas cidades do Reino Unido, os sistemas de vigilância já utilizam 25 milhões de câmeras em lugares públicos. A que se deve esse interesse?
- É algo muito irracional, pois não existe trabalho de pesquisa que confirme a eficácia das câmeras. ... A videovigilância é uma ajuda preciosa principalmente para a solução de investigações, a posteriori.

[Ginsburg e Foucault revelam o inicio deste "cadastramento" civilizatorio de nossa sociedade ocidental:]
"

PERGUNTA - Ainda é possível "desaparecer" em nossas sociedades? Isto é, ainda é possível escapar do controle da tecnologia?
- Desaparecer ainda é possível, mas é preciso saber o que isso representa em termos de esforço, sobretudo se você ainda vive na legalidade, sem falsa identidade ou cirurgia plástica. ... O problema é que esse afastamento da sociedade vai parecer sobretudo uma viagem ao passado, um retorno às formas antigas de controle social. Em seu pequeno vilarejo perdido, não haverá quase ninguém, mas todo mundo num raio de dez quilômetros saberá tudo sobre seus hábitos cotidianos, suas particularidades. [DOGVILLE] Os séculos anteriores à tecnologia moderna estavam longe de serem épocas sem vigilância. [GINSBURG & FOUCAULT] Para evitar isso, você talvez prefira mergulhar fundo na selva urbana. As multidões das cidades ainda podem garantir o anonimato. [Baudelaire & WALTER BENJAMIN] ...

PERGUNTA - Sem ir tão longe assim, ainda é possível pelo menos controlar as informações a nosso respeito que permitimos que sejam registradas?
- Se você decide permanecer na sociedade, as informações a seu respeito vão necessariamente circular. Você paga impostos ao fisco, que, conseqüentemente, sabe coisas a seu respeito, assim como sabe seu empregador etc. Mas você pode evitar dar informações a seu respeito que ninguém o obrigue a revelar.
Você pode evitar preencher todos os questionários aos quais geralmente não presta atenção. [ver "Vjiar - Web-Vjing-Cam", 2005/6]...

PERGUNTA - A maior porta para a invasão de nossa vida privada ainda é o computador ligado à internet?
ROUSSELIN - Com certeza. A maioria dos computadores nos é entregue com sistemas operacionais que dão direito legal à Microsoft ou à Apple de colocar em nossas casas espiões que supostamente estão ali por boas razões. A partir do momento em que somos conectados à rede, independentemente de qualquer decisão autônoma de nossa parte, um pequeno tráfico começa a se desenrolar, ... coletando informações sobre nossa estação de trabalho. .... O problema se agrava mais a partir do momento em que se navega na web. A cada vez que visitamos um site, este registra o número de páginas vistas, o tempo de consulta em cada uma, os links seguidos, o percurso integral do cliente antes da transação, assim como os sites consultados antes e depois. [ver: "Ctrl/Espace - Rhetorics of Surveillance,
from Bentham to Big Brother", Thomas Y. Levin + Peter Weibel
& "Vjiar - Web-Vjing-Cam"] ...

PERGUNTA - Em lugar de passar despercebida, a solução seria continuar ativo para subverter o sistema?
- Sim, ainda restam muitas áreas de nossa vida pessoal em que nem tudo está decidido. E cabe a cada um de nós fazer com que a vigilância não se amplie. Estamos assistindo ao surgimento de ativistas, vemos artistas, pessoas que têm comportamentos sadios. Mas então topamos com nosso próprio comodismo, nossos pequenos interesses momentâneos. É contra isso que é preciso lutar. Contra nós mesmos? Sim! Porque gostamos do que é moderno e simples. A força do Google ou da Apple é a dessas interfaces incrivelmente fáceis e intuitivas, que nos seduzem. Todos nós temos amigos que nos fazem a demonstração de seu mais novo objeto "super-high-tech", que se gabam interminavelmente das qualidades de seu novo telefone etc. O que fazem não é nada mais, nada menos que promover o novo instrumento que os vigia. E sentem muito orgulho disso. Somos todos um pouco assim. ...
[entrevista com T. Rousselin, a íntegra deste texto saiu no "Le Monde" e circulou em listas-online de arte em setembro/2008]